Gênesis
palavra por palavra
Tradução inédita
propõe repensar princípios que definiram
a civilização
De
acordo com o Gênesis, Eva não teria sido
criada a partir da costela de Adão, o homem
foi projetado para ser vegetariano, o conceito de
sustentabilidade já data da época da
criação, a crise econômica mundial
é provocada principalmente pelo desrespeito
à natureza e pelo aumento de corrupção,
e o dízimo como foi estipulado por diversas
correntes religiosas nunca existiu. Essas e outras
questões que marcaram a história da
civilização humana são desvendadas
numa nova versão do Gênesis, traduzida
do hebraico para o português, “palavra
por palavra”.
De
autoria do escritor, músico e psicoquirólogo
Nachman Szmulewicz, também conhecido como Maharaja,
“Gênesis, Palavra por Palavra” traz
os primeiros sete dos cinqüenta capítulos
da escritura sagrada, oferecendo uma releitura desprovida
de interpretações institucionais ou
religiosas. Esta é a primeira vez na história
do mundo que o livro mais lido e vendido da humanidade
é traduzido palavra por palavra do original
em hebraico para um idioma ocidental atual.
Maharaja,
sendo de origem judaica, utilizou ainda conhecimentos
do sânscrito e do latim para chegar a um formato
totalmente inédito com o original em hebraico,
a tradução palavra por palavra com a
transliteração (pronúncia), e
por fim, a tradução dos versículos
numa linguagem atualizada. “Esta versão
pretende mostrar os textos originais de forma mais
transparente e compreensível para a época
atual”, afirma esse argentino que já
rodou o mundo sempre envolvido com projetos espirituais
e de caráter solidário e humanista.
Ecologia,
ciência, genética, psicologia, comportamento,
metafísica, e a preservação e
respeito à vida estão entre os temas
que fazem parte de um “paradigma bíblico”,
como diz Maharaja, que precisam ser discutidos pela
nossa sociedade de forma a rever valores e a buscar
o autoconhecimento como a maneira mais efetiva de
resolver os problemas da humanidade. Ele confessa
que sempre teve uma curiosidade “indomável”
de compreender o maior best-seller de todos os tempos
e que ao pesquisar se já havia algo parecido,
nada encontrou. “Existem infinitas traduções,
mas nenhuma que não tenha sofrido influências
das mais diversas”, reitera, ressaltando que
o Gênesis é um marco na história
da civilização; antes da Bíblia,
roubar e matar, por exemplo, não eram considerados
crimes.
Os
desafios da linguagem
São
inúmeros os exemplos de como os verdadeiros
ensinamentos foram se perdendo ao longo da história.
Maharaja lembra que na Bíblia não existe
a palavra “costela” e que o termo hebraico
hatzela significava “o lado”. Isto muda
completamente a perspectiva de Eva ter sido criada
a partir desse osso de Adão. “Deus criou
o projeto do homem e da mulher simultaneamente, ainda
no final do Primeiro Capítulo”. Mais
adiante, no Êxodo, a palavra hatzela se usa
para se referir aos lados da Arca e não caberia
a acepção “costela”. Maharaja
sugere que casos como esses poderiam, talvez, ter
alterado o curso da história.
Ele
ressalta que o fato de a Bíblia e outras escrituras
terem sido utilizadas como instrumentos da religião
levaram a distorções gritantes como
a que ocorre com a palavra lmemshelet, que quase sempre
foi traduzida como “dominar”, quando significa
“governar”. Governar não é
dominar, e por isso, o Primeiro Ministro do Estado
de Israel nos dias atuais é chamado de Rosh
Hamemshala que literalmente significa “cabeça
de governo”.
Existência
auto-sustentável sem crise
A
palavra “dominação” também
é usada erroneamente com relação
aos cuidados com a flora e fauna do planeta. De acordo
com Maharaja, Deus mostra a Adão a existência
da Lei de Causa e Efeito, conhecida pelos orientais
como Karma e fala em cuidar da Terra e de todos os
seres vivos que se movem na face dela, dando a base
para o que hoje batizamos de sustentabilidade. No
Gênesis há um chamado à consciência,
para o ser humano assumir a responsabilidade social,
não apenas com os seres humanos, mas também
com animais, vegetais, minerais, com o clima, com
os mares e com o ar. E ainda, de acordo com ele não
existe nada que estimule a matança de animais
para a sobrevivência do homem: o livro sagrado
menciona somente que os vegetais são para saciar
a fome do homem.
Outros
assuntos mal interpretados suscitaram problemáticas
difíceis até hoje para o ser humano.
O Gênesis mostra claramente que o arrependimento
é melhor que o sentimento de culpa. “Enquanto
o arrependimento nos ajuda a melhorar e crescer, a
culpa bloqueia qualquer possibilidade de crescimento.
O Próprio Deus mostra arrependimento em vários
momentos após a criação do homem,
mas nunca o sentimento de culpa”.
Na
opinião de Maharaja, é clara a utilização
da escritura ao bel prazer daqueles que pretendiam
tirar proveitos políticos. O episódio
de Abraão, que após resgatar seu sobrinho
Lot dos seqüestradores utilizou uma décima
parte de suas posses para construir um altar de adoração
ao Supremo, foi utilizado por religiosos para instituir
o dízimo. Mas ninguém nunca comentou
o fato de que o mesmo Abraão ensinou astrologia
para Ismael e Isaac. Ou ainda, muitos omitiram o que
o celibato é uma prática condenada pela
escritura e que o sexo é incentivado como forma
divina de manter a vida. Sem qualquer tipo de conotação
pejorativa como é comum atualmente, o Gênesis
diz que Adam (Adão) “conheceu”
Havah (Eva), o que é o mesmo que hoje dizer
que Adão “comeu” Eva.
Para
Maharaja é extensa a pauta de discussões
em torno do Gênesis e bastante oportuna para
os dias de hoje. “O que percebemos de uma forma
clara no Gênesis é que tudo deve ser
feito de forma responsável porque a vida humana
nos cobra isso”, observa ele, reforçando
que a sua proposta é uma nova maneira de encarar
o compromisso de Deus com a humanidade.
Breve
perfil
Nascido
em Buenos Aires — Argentina, em 22 de agosto
de 1954, Nachman Szmulewicz — conhecido posteriormente
como Maharaja — estudou Psicologia na Universidade
Nacional de Filosofia e Letras de Buenos Aires, e
violão erudito no Conservatório Nacional
dessa cidade. Viveu como monge na Índia onde
se envolveu com a música oriental e se ocupou
com obras sócio-culturais, distribuindo alimentos,
ministrando palestras e apresentações
musicais para crianças carentes. Por essas
atividades solidárias, recebeu o título
de Maharaja, que em sânscrito significa “grande
e bondoso rei”.
Foi
na Índia que teve contato com a quirologia,
ciência que o fascinou e o levou mais tarde
a criar a Psiquirologia junto a cientistas mundialmente
reconhecidos, e estabeleceu um link entre a ciência
moderna e as técnicas milenares de conhecimento
orientais dando um sentido racional e lógico
à pratica da leitura de mãos. Da mesma
maneira que Carl Jung, Julius Spier, Cesare Lombroso,
Juan Vucetich e outros, Maharaja trabalhou com o conceito
de que o corpo manifesta situações internas
da alma através de códigos.
Enquanto músico e escritor, Maharaja já
compôs mais de 2 mil composições
e poesias, tendo tocado e gravado com artistas famosos
como o ex-Beatle George Harrison, Gilberto Gil e muitos
outros. Tem 20 livros escritos, dos quais, 14 já
foram publicados. Maharaja representou o Brasil no
Prêmio internacional “Otávio Paz”
de Literatura no México (2001), elogiado por
intelectuais, tanto pelo trabalho literário
quanto pela sua forma de se expressar em idioma português.
“Mais
importante do que a inteligência é a
imaginação”
Albert Einstein
A
primeira edição do livro “Gênesis
— Palavra por Palavra” foi publicada pelo
Governo da Bahia, está concorrendo ao Premio
Jabuti de 2009, e pode ser adquirido pelo site www.livrodegenesis.com.br
Mais
informações: (011) 3532-5300 / (011)
8559-1224
ou: